quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cobrinha

Hoje, você acordou “com a macaca”, como se diz por aí. Irritada, chorona, briguenta... Aff! Às vezes, eu me pergunto onde está aquele bebezinho anjo que eu tinha e que todos invejavam. Sumiu mesmo! Mas, tudo bem. Deve ser culpa dos dentes que continuam nascendo, da lua que trocou de posição, de uma TPM muitos anos adiantada... Enfim, deve ser culpa de alguém ou de alguma coisa. Ou, então, “é só uma fase”, como dizem os otimistas (como seu pai).

O certo, bebê, é que sua mãe, hoje, teve que fazer um esforço de Dalai Lama para aguentar seu péssimo humor. Fiquei pensando em mim mesma, quando estou de mal com o mundo e tenho que ser suportada pelas pessoas que me cercam. Também sou difícil,às vezes (muitas vezes, aliás).

No final das contas, sua chatice de hoje não deve ser culpa de lua ou de dente. Deve ser culpa minha mesmo. Você é minha filha e puxou esse meu lado negro da força. Então, sinta-se perdoada por puxar meus cabelos e me dar cabeçadas. Eu te amo mesmo assim (mas, lembre-se de que mamãe, na fase “Darth Vader”, nem sempre é tão boazinha, viu?!).

Beijos, chatinha do meu coração.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Coisas Boas...

Oi, meu amor
Hoje, mamãe só quer falar de coisas boas. Esqueci de contar, da última vez, que já somos felizes proprietários de nossa “casa própria”. Depois de muita pesquisa, eu e seu pai encontramos o apartamento de nossos sonhos (que fica na minha cidade natal!). Na verdade, quem encontrou foi o seu tio Ricardo e, quando nos levou lá, a-do-ra-mos! Enfim, é nosso! Por enquanto, deixamos alugado, mas, num futuro não muito distante, moraremos lá, perto dos amigos e da família. Viva, viva, viva!
Outra novidade é que, hoje, você teve sua primeira aula de natação. Aulinha particular, com uma professora super atenciosa e, lógico, sob a vigilância constante de sua mamãe aqui. Seu pai acha que eu sou exagerada, mas eu nem ligo. Filha, você é o meu maior tesouro. Por isso, eu presto mesmo atenção em tudo o que lhe diz respeito. Com o tempo, vou deixar você mais solta. Mas, por enquanto, você é muito pequenininha para ter tanta liberdade, meu bebê. Tudo a seu tempo.
No mais, estou melhorando, filha. Depois de uma certa fase meio “down”, o sol parece brilhar novamente. Que continue assim.
Beijos!
Sua mãe.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Férias, alegrias e tristezas

Oi, filha

Já faz um bom tempo que não escrevo para você e há tanto para contar... Coisas boas e coisas ruins, infelizmente.
Bem, a passagem por Recife foi uma dessas coisas boas e ruins, ao mesmo tempo. Boas porque é sempre bom rever a família, encontrar pessoas queridas e deixar você participar desses encontros, arrancando sorrisos por onde passa. Também foi bom porque pôs fim a um mal entendido do ano passado, que eu pensei que jamais seria superado (acredito que o motivo maior dessa “superação” foi você, meu amor. Obrigada). E a parte ruim... Bem, essa ficou por conta dos problemas de sempre, que nem valem a pena comentar. Sempre fico com uma pontinha de tristeza quando penso nisso, o que não me faz nada bem. Essa pontinha, recentemente, virou uma ponta gigantesca, quando chegamos aqui e eu soube que nossa gatinha, Hanna, havia falecido. Ela não queria mais comer, filha. Acho que morreu de tristeza. Seu pai diz que não, que era mesmo a hora dela, etc. Eu sei que ele fala isso para que eu me sinta melhor, mas a verdade é que sua mãe imperfeita se culpa por muitas coisas de vez em quando. Ultimamente, venho me culpando pela morte de nossa gatinha, por tê-la enviado para longe de mim, por conta da mudança. Talvez, seu pai até tenha razão quanto à “hora dela”, mas eu nunca terei como saber.
Mudando de assunto... Chegamos ao Rio. Não há como negar, meu amor: é uma cidade linda. Seu pai não gosta muito, principalmente da chamada “malandragem” que, aqui, é uma realidade quando se trata de algumas pessoas. Mas, eu confesso que, até agora, não tenho do que reclamar. Graças a Deus, não vi nada de violência na região em que moramos. Diante da beleza do Rio, dá até para pensar que tudo aquilo que vemos na TV faz parte de algum universo paralelo. Bem, não faz, mas bem que poderia fazer. Violência, definitivamente, não combina com esta cidade. Nosso apartamento é grande, fica perto do Pão de Açúcar e da Praia Vermelha. Ah, a área é cheia de crianças e você adora fazer bagunça com elas no parquinho do prédio. E eu adoro ver o seu desenvolvimento, sempre alegre e cheio de vida. Você é linda, meu amor.
O povo do Rio tem uma característica que eu adoro (e, sobre isso, seu pai concorda comigo): eles não ligam para a velhice. Não que não envelheçam claro que isso acontece. A diferença é que eles não deixam a velhice derrubá-los. A coisa mais comum é ver pessoas idosas praticando esportes, correndo, jogando vôlei, basquete... Tomando sol, pegando “aquele bronze” na praia, com biquínis e sungas que deixariam nossos velhinhos do Nordeste de cabelo em pé. Eu acho o máximo, filha. A cidade, rodeada de tanta natureza, parece que convida a uma vida assim, saudável e desencanada. Nossos vovôs e vovós do Nordeste deveriam ser assim também. Simplificar a vida e não se queixar tanto da velhice. Aqui, na cidade maravilhosa, ser velho não significa ficar sentando numa cadeira de balanço esperando a morte chegar. Significa estar lindamente maduro, saudável e feliz. É essa lição que eu quero levar daqui, quando formos embora, meu amor. É uma lição que muitas pessoas que conhecemos também deveriam aprender.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Maluzites de Viagem

Saímos de Macapá lindos e cheirosos para pegar o avião para o Recife... Eu, com minhas neuras, achei que você havia comido pouco. Seu pai me alertou, com aquele tom "carinhoso" que lhe é peculiar, sempre que eu estou prestes a fazer alguma besteira: "Você vai fazer com que ela exploda de tanta comida!". E eu, naquela de "tô nem aí", resolvi lhe dar uma super mamadeira na hora da decolagem. Segundos depois, a profecia paterna se concretizou : você fez uma carinha estranha, deu duas tossidinhas e vomitou tudinho em cima de mim e de seu lindo vestidinho novo. Claro que, enquanto eu estava desesperada, pedindo ajuda, seu pai ficou imóvel, só nos encarando, com aquele olhar de "eu bem que avisei". E, para completar, no meio do vôo, você fez outra carinha estranha, e o resto da comida saiu, desta vez, por baixo, exalando aquele "cheirinho" que só um bebê é capaz de produzir.
Graças a Deus, havia uma conexão longa em Belém. Levei você ao fraldário, lhe dei um super banho e coloquei uma roupinha nova, comprada ali mesmo, no aeroporto (porque, claro, eu esqueci de levar uma outra roupa para você, o que rendeu outro olhar crítico da parte do seu pai).
Então, com você limpíssima, embarcamos para Recife. Você, linda e cheirosa; eu, empestiada de perfume francês para tentar esconder o fedor do vômito na minha roupa; e seu pai, tranquilo e elegante, como um mestre do Sudoku deve ser.
E esse foi o início de nossas férias, bebê. Nenhum comercial perfeito de margarina, mas um momento imperfeito e divertido (por que não?) em família.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tchau, Belém!

Hoje, é o nosso último dia em Belém, filha. Terminamos a mudança e, agora, estamos no hotel, esperando dar a hora para irmos ao aeroporto, rumo à Macapá, onde passaremos o Natal com a sua irmã. Depois, viajaremos para o Nordeste, para rever a família e, somente no fim de janeiro, partiremos para o Rio, nossa residência em 2011.

Com apenas pouco mais de um ano de idade, esta é sua segunda mudança, meu amor. Você estranhou bastante a movimentação dentro de casa, o "desmonta tudo", o entra e sai de gente carregando caixas... Mas, o que você mais detestou foi o barulho da fita crepe, lacrando os volumes. Chorava desesperada, corria para mim, para o seu pai... Um choro de medo mesmo. Mas, acabou, filha. Mudança, agora, só no final do próximo ano, Deus sabe para onde. Daqui para lá, do alto dos seus dois anos, a terceira mudança de sua vida deve ser mais tranquila. Provavelmente, o medo da fita crepe será substituído por canetinhas coloridas para desenhar nas caixas. Que tal?! Mamãe deixa e, de quebra, ainda lhe ajuda a desenhar, combinado?!. :)

E lá vamos nós pegar a estrada outra vez! Que venha o Rio de Janeiro!

Beijos, meu amor!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um Mundo de Infinitas Possibilidades

Além de você, eu e seu pai temos outro amor em comum, minha vida: a leitura. Nós dois somos verdadeiras "traças" devoradoras de livros. Adoramos passar horas e horas em livrarias, de prateleira em prateleira, folheando e escolhendo as estórias que leremos em seguida, já que sempre estamos lendo alguma coisa. Adoramos comprar livros um para o outro, comentar sobre eles, ler juntos... É verdade que nem sempre gostamos dos mesmos autores e assuntos, mas isso não importa. O que importa é que um de nossos grandes desejos é que você, algum dia, também desperte para o mundo mágico dos livros, filha. Para tanto, sempre lhe levamos à parte infantil das livrarias, onde você fica encantada com o colorido das capas e, lógico, com o “bom astral”do ambiente. Rapidamente interage com as outras crianças que estão por perto, ri, pega os livrinhos e faz a maior farra. Isso nos deixa bobos de encantamento, meu amor, e eu, particularmente, já me imagino lendo várias daquelas estorinhas, a pedido seu, antes do seu soninho.

Por enquanto, você só folheia os seus livrinhos (sim, você já tem cinco!), cheia de curiosidade. Quando tento lê-los, suas mãozinhas ágeis logo os tiram de mim, para virá-los e revirá-los, como bem gostam de fazer nas prateleiras das livrarias. Mas, isso faz parte do conhecimento de um livro, filha... o toque. Algo que, na minha opinião, a tecnologia (ela de novo!) jamais conseguirá substituir. E que bom que você gosta de tocar e folhear seus livrinhos, meu amor. Logo, logo, repetirá o nome das figurinhas, se interessará pelas estórias e, quando se der conta, será uma pequena traça devoradora de conhecimento.

Há hábitos bons e maus neste mundo, Maluzinha... Ler é um hábito maravilhoso, que vale a pena ser cultivado, incentivado, exercitado... Se depender de nós, seus pais, você terá sempre bons livros a seu dispor. Lembre-se de que conhecimento, educação e cultura são o maior tesouro que uma pessoa pode encontrar, filha. Juntos, formam um conjunto de bens que ninguém neste mundo jamais conseguirá tirar de você. Por isso, não perca as oportunidades de sempre aprender algo novo, bom e saudável. Faça dos livros seus fiéis companheiros nesta jornada, minha vida. Por meio deles, um mundo de possibilidades infinitas é aberto a cada dia, pode acreditar.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Coisas do passado?

Você nasceu na era digital, filha. Tudo gira em torno de tecnologia, computadores, etc. Não que isso seja algo ruim, mas, de certa forma, afastou determinados hábitos, como escrever cartas, revelar fotografias... Duas coisas que sua mãe simplesmente ama. Confesso que escrevo menos cartas hoje do que há alguns anos, quando participava de um grupo de filatelia internacional e trocava correspondência com pessoas do mundo inteiro. Era fantástico, meu amor. Ainda tenho todos os cartões postais que esses amigos distantes me enviaram, com fotos de lugares lindos, que eu amaria conhecer. Infelizmente, tais amigos se perderam no tempo e, na época atual, acho que a correspondência não seria tão intensa. Acredito que trocaríamos e-mails, como a modernidade pede. Ainda assim, vez por outras, eu pego caneta e papel e escrevo para os seus avós. É uma maneira de estarmos juntos, já que eu sei que a carta que eu toquei, estará sendo tocada por eles também, a quilômetros de distância, levando notícias nossas e, principalmente, fotografias suas.

Fotografia... Outra coisa que ficou meio estranha com o passar dos anos. Agora, tiram-se fotos para que fiquem guardadas no computador. Revelar não é mais obrigatório como antes, eis que não sabíamos como a imagem ficaria se não fosse revelada. Mas, nesse ponto, sua mãe continuou bem antiquada. Eu gosto de ver fotografias em álbuns, meu amor. Álbuns de família, com muitas anotações sobre os detalhes de cada momento capturado. Por isso, adoro organizar nossas fotos, filha. Fico imaginando você, maiorzinha, fazendo mil perguntas sobre cada um daqueles momentos. Além do mais, tenho pavor de perder esses arquivos por conta de algum “bug” do computador. Então, revelo, organizo, envio para seus avós, coloco em porta-retratos, enfim, me cerco de lembranças queridas por todos os lados. Isso é algo que me deixa imensamente feliz.

A tecnologia é ótima, meu amor. É por meio dela que guardo todos esses textos para você ler no futuro. Porém, ainda acho que certos hábitos do passado merecem ser cultivados... Assim, a vida poderá seguir com uma certa poesia, um certo romantismo, que dificilmente será superado pelas máquinas.